Reforma elétrica: lista de materiais para planejar a obra
Uma reforma elétrica segura começa pelo projeto. Veja quais grupos de materiais entram na lista e o que deve ser dimensionado por um profissional.
Por Equipe Gera Energia

Uma lista de materiais para reforma elétrica deve nascer do levantamento de cargas e do projeto, não de uma relação genérica da internet. Em geral, a compra inclui infraestrutura, fios e cabos, quadro e proteções, tomadas e interruptores, iluminação, aterramento, conexões e identificação. A especificação e a execução devem ficar a cargo de profissionais com habilitação e qualificação compatíveis com o escopo, observando a legislação e as normas técnicas aplicáveis às instalações elétricas de baixa tensão.
A lista abaixo funciona como um mapa para organizar orçamento, etapas e conferência. Ela não substitui o projeto nem autoriza intervenções em circuitos energizados. Instalações antigas podem esconder emendas, aquecimento, ausência de condutor de proteção e circuitos sobrecarregados; por isso, a avaliação deve começar antes da compra.
Antes da lista, faça o levantamento da instalação
O primeiro passo é registrar o que existe e o que a reforma pretende atender. O profissional verifica padrão de entrada, quadro, circuitos, condutores, eletrodutos, aterramento e pontos de uso. Depois relaciona as cargas atuais e futuras: chuveiro, forno, cooktop, ar-condicionado, bomba, máquina de lavar, secadora, iluminação externa e equipamentos de escritório são exemplos que podem exigir circuitos próprios.
Também é importante marcar a posição de tomadas, interruptores, luminárias, pontos de dados e equipamentos fixos. Uma planta simples, com medidas e mobiliário previsto, evita descobrir tarde demais que uma tomada ficará atrás do armário ou que a bancada não tem pontos suficientes. Decisões de arquitetura e elétrica devem conversar antes de fechar paredes e forros.
Fotografe somente a parte externa e as etiquetas visíveis do quadro, sem remover tampas, tocar em componentes ou tentar identificar condutores. A inspeção interna deve ser feita pelo profissional responsável, após o procedimento seguro de desenergização.
Liste todos os equipamentos por ambiente e suas potências de placa.
Marque pontos novos, pontos removidos e mudanças de mobiliário.
Defina se haverá expansão, energia solar, automação, carregador veicular ou climatização.
Peça ao responsável técnico o projeto, o diagrama e a lista quantitativa.
1. Infraestrutura: eletrodutos, caixas e acessórios
A infraestrutura cria o caminho mecânico para os condutores e precisa ser planejada antes da passagem dos fios. Entram nessa etapa eletrodutos conforme a aplicação, curvas, luvas, buchas, abraçadeiras, canaletas, eletrocalhas e caixas de passagem definidas pelo projeto.
O diâmetro do eletroduto depende da quantidade e da seção dos condutores, do percurso e das condições de instalação. Encher um caminho além do previsto dificulta a passagem, prejudica manutenção e pode afetar a dissipação térmica. Curvas em excesso também aumentam o esforço de puxamento. A quantidade deve considerar o traçado real, as descidas, as sobras técnicas e as caixas intermediárias definidas no projeto.
2. Fios e cabos elétricos
Os condutores são comprados por tipo, seção nominal, cor, classe e metragem. Não existe uma única “bitola residencial” adequada a tudo. Iluminação, tomadas de uso geral e equipamentos de maior potência têm demandas diferentes, e a seção final depende de corrente, comprimento, queda de tensão, agrupamento, temperatura e método de instalação. O guia da GERA sobre fios e cabos aprofunda os critérios de escolha sem substituir o projeto.
O Inmetro informa que condutores isolados e cabos flexíveis com isolação em PVC para tensões de até 450/750 V estão abrangidos por requisitos compulsórios consolidados na Portaria nº 131/2022. Na compra, confira identificação, aplicação, procedência e selo de conformidade aplicável. Produto aparentemente mais barato, mas com cobre ou isolação fora da especificação, compromete segurança e pode elevar perdas e aquecimento.
A padronização de cores facilita identificação e manutenção, mas a cor sozinha não prova a função de um condutor em uma instalação antiga. O profissional deve testar, identificar e etiquetar; nunca presuma a função somente pela cor.
3. Quadro de distribuição e dispositivos de proteção
O quadro reúne os circuitos e os dispositivos que protegem pessoas e instalação. A lista pode incluir caixa de embutir ou sobrepor, trilho DIN, barramentos separados, pente de ligação, disjuntor geral, disjuntores dos circuitos, dispositivo diferencial residual, dispositivos de proteção contra surtos, bornes, terminais, tampa, identificação e espaço de reserva.
Disjuntor não é escolhido apenas pela potência do aparelho nem pode ser aumentado para parar desarmes. Ele deve proteger os condutores e atuar conforme as características do circuito. O artigo sobre tipos de disjuntores elétricos explica as diferenças mais comuns. DR e DPS têm funções diferentes: o primeiro participa da proteção contra correntes de fuga e choques em condições previstas; o segundo limita surtos transitórios. A coordenação entre dispositivos, aterramento e esquema da instalação precisa ser definida tecnicamente.
Quadro com capacidade compatível e espaço para organização e futuras ampliações.
Disjuntores dimensionados para cada circuito e para os condutores utilizados.
Barramentos e bornes adequados para neutro e proteção, sem improvisos.
DR e DPS especificados conforme o projeto e as condições da instalação.
Etiquetas legíveis para identificar ambientes e equipamentos atendidos.
4. Tomadas, interruptores e pontos de uso
Com o mapa de ambientes pronto, conte módulos, suportes, placas, tomadas, interruptores simples, paralelos ou intermediários e conjuntos especiais. Verifique corrente nominal, número de polos, padrão de conexão, acabamento e compatibilidade entre suporte e placa. Misturar linhas diferentes pode gerar encaixes ruins e aparência inconsistente.
Cozinha, lavanderia, garagem e área gourmet costumam concentrar cargas e precisam de atenção especial. Uma multiplicação de benjamins e extensões logo após a reforma é sinal de que o planejamento de pontos ficou aquém do uso real. Para equipamentos fixos ou de maior potência, o projeto pode prever circuito e ponto dedicados.
5. Iluminação e comandos
A lista de iluminação pode incluir luminárias, lâmpadas, painéis, perfis, fitas, fontes, drivers, sensores, fotocélulas, dimmers, caixas e conectores. A linha de iluminação LED da GERA reúne opções para diferentes aplicações. Não basta contar peças: temperatura de cor, fluxo luminoso, índice de reprodução de cor, grau de proteção e compatibilidade com controle interferem no resultado.
Áreas úmidas e externas exigem produtos apropriados ao ambiente. Fitas LED precisam de fonte compatível e dissipação adequada. Dimmers e lâmpadas devem ser declarados compatíveis para evitar cintilação, ruído ou faixa de controle ruim. A decisão deve acontecer junto do projeto luminotécnico e dos pontos elétricos, especialmente quando há sancas, marcenaria ou automação.
6. Aterramento, conexões e acabamento técnico
O sistema de aterramento não é um item decorativo nem se resume a comprar uma haste. Conforme o projeto, podem entrar eletrodos, caixas de inspeção, condutor de proteção, barramentos, conectores e elementos de equipotencialização. A solução deve ser verificada no local e integrada às proteções.
Para conexões e acabamento, a lista pode trazer terminais tubulares, olhais, garfos, conectores próprios, prensa-cabos, abraçadeiras, marcadores, fita isolante adequada e etiquetas. Emendas soltas ou feitas com materiais inadequados elevam resistência de contato e dificultam manutenção. Cada conexão deve respeitar o condutor e o borne do equipamento.
Checklist por grupo de compra
Grupo | Itens que podem aparecer na lista
Infraestrutura | Eletrodutos, caixas, curvas, luvas, canaletas e fixação
Condutores | Fios, cabos, cabos de comunicação e identificação
Distribuição | Quadro, barramentos, bornes e acessórios DIN
Proteção | Disjuntores, DR, DPS e componentes especificados
Pontos | Tomadas, interruptores, suportes, placas e módulos
Iluminação | Luminárias, lâmpadas, drivers, sensores e comandos
Aterramento | Condutores, conectores, barramentos e inspeção
Acabamento | Terminais, etiquetas, abraçadeiras e conectores
O que não deve ser decidido apenas na loja
A loja pode ajudar a localizar o produto especificado, conferir linha, embalagem e disponibilidade, mas não deve substituir o dimensionamento da obra. Se a lista chega sem seção de cabos, corrente de disjuntores, características do DR e do DPS ou aplicação dos materiais, faltam decisões que dependem do projeto.
Seção e tipo dos condutores de cada circuito.
Corrente, curva e capacidade de interrupção dos disjuntores.
Características e posição de DR e DPS.
Diâmetro e ocupação de eletrodutos e caixas de passagem.
Configuração de aterramento e equipotencialização.
Circuitos dedicados para cargas de maior potência.
Como comprar sem faltar nem desperdiçar
Com o quantitativo em mãos, separe a compra por fase da obra. Infraestrutura costuma vir primeiro; condutores e quadro entram depois que trajetos e medidas foram confirmados; mecanismos e acabamentos podem ser adquiridos mais perto da finalização para reduzir perdas e danos. Essa sequência evita armazenar itens sensíveis em ambiente de obra por tempo desnecessário.
Uma pequena margem técnica pode ser prevista para recortes, trajetos e reposição, mas aplicar o mesmo percentual a todos os materiais gera desperdício. Cabos, eletrodutos, caixas, placas e dispositivos têm unidades e riscos diferentes. Peça que o responsável pela execução defina as margens e confira o material recebido antes de abrir embalagens.
Segurança durante a reforma
A NR-10 estabelece requisitos e medidas de controle para segurança em instalações e serviços com eletricidade, abrangendo projeto, construção, montagem, operação e manutenção. O ponto central para o proprietário é simples: trabalho elétrico não deve ser improvisado. A norma prevê uma sequência técnica para que uma instalação seja considerada desenergizada, incluindo seccionamento, impedimento de reenergização, constatação da ausência de tensão e sinalização, além de outras medidas aplicáveis. Essa sequência deve ser definida e executada por profissionais autorizados; desligar um disjuntor, sozinho, não comprova que o circuito esteja seguro.
Se houver cheiro de queimado, aquecimento, marcas escuras, faíscas ou desarmes frequentes, não toque no ponto nem tente desmontá-lo. Afaste pessoas da área e solicite avaliação profissional imediata; o desligamento do circuito só deve ser feito quando puder ocorrer com segurança, sem contato com partes danificadas. Trocar apenas o acabamento pode esconder um problema mais profundo. A melhor lista é aquela que nasce de um diagnóstico e termina com circuitos identificados, testados e documentados.
Perguntas frequentes
Posso comprar os materiais antes de contratar o eletricista?
É melhor aguardar o levantamento e a especificação. Compras antecipadas costumam errar seções, quantidades, modelos e compatibilidade, além de dificultar troca de itens já abertos.
Quanto comprar a mais de fios e eletrodutos?
A margem depende do traçado, das medidas e da forma de fornecimento. O responsável pela execução deve calcular percursos e sobras técnicas; um percentual genérico para toda obra pode gerar falta ou desperdício.
Toda reforma precisa trocar o quadro elétrico?
Não obrigatoriamente. O quadro deve ser inspecionado quanto a capacidade, estado, organização, proteções e compatibilidade com os novos circuitos. A avaliação define se é possível adequar ou se a substituição é necessária.
Como saber se o fio ou cabo é certificado?
Confira marcações, embalagem, identificação do fabricante e selo de conformidade aplicável. O Inmetro mantém informações sobre a regulamentação de fios e cabos; em caso de dúvida, peça ajuda na conferência antes da compra.
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Compre a partir de uma lista técnica, não de adivinhações
Leve o projeto ou a relação técnica à loja GERA em Foz do Iguaçu. A equipe ajuda a localizar e separar os itens descritos e a conferir modelos, quantidades e disponibilidade. Qualquer troca de especificação deve ser validada pelo responsável técnico da obra.